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  • Diego Dornelles

Facilitação de aprendizagem: o que é e como utilizar

Quando me apresento como Facilitador de Aprendizagem, percebo que muitas pessoas não sabem o que isso significa. Algumas por nunca terem ouvido falar, outras por não compreenderem a ambiguidade da palavra 'facilitação'. Professor ou Instrutor, no entanto, são profissões melhor entendidas, ainda que todos esses possam ser facilitadores de aprendizagem.


Meu primeiro contato com o termo foi em um curso sobre novas abordagens da educação, que procurei logo que me tornei professor e senti a necessidade de ter metodologias e formas mais eficientes para engajar os alunos em sala de aula. Percebi que esse é um dos desafios de grande parte dos professores, especialmente aqueles que, como eu, lecionam em cursos técnicos, graduação e pós-graduação. Temos o conhecimento técnico e a experiência prática sobre as disciplinas, mas não fomos ensinados a ensinar. Achei interessante a ideia de ser um facilitador de processos de aprendizagem, até por que eu não me sentia confortável com a definição de professor - por não ter feito Pedagogia ou Licenciatura. Mas foi somente praticando e trabalhando com facilitação que eu realmente entendi o seu significado e a sua importância.


Facilitação tem mais a ver com fazer perguntas do que dar respostas, com utilizar o conhecimento do grupo e não só o do professor ou gestor, com estimular o diálogo, a escuta, a empatia e a co-criação. Seu principal objetivo é criar ambientes com maior engajamento e aprendizado.

A educação voltada para os adultos (andragogia) é diferente da educação voltada para crianças (pedagogia). Os adultos aprendem a partir das suas experiências, dos seus contextos e de seus interesses. Aprendem agindo, refletindo, conceitualizando e aplicando, quando faz sentido, preferencialmente socializando - visto que possuem experiências pessoais e profissionais. Quando um professor entra em uma sala para dar aula a adultos, pode encontrar pessoas mais experientes que ele em muitos aspectos: pessoas mais viajadas, que leram mais livros, que fizeram mais cursos, que possuem mais tempo de vivência em determinado mercado, entre outros. E como ignorar toda essa riqueza de conhecimento à disposição do coletivo apenas por orgulho hierarquia?!


O mais inteligente do grupo nunca será mais inteligente que o grupo.

Isso por que mesmo que ele sendo o mais inteligente, se ele fizer parte do coletivo a sua inteligência soma-se a dos demais, tornando o grupo ainda mais poderoso!


Em sala de aula e em ambientes corporativos, é possível observar três formas de conduzir processos de aprendizagem, são eles:


Instruindo

Ao realizar aulas ou reuniões totalmente expositivas e dar todas as respostas em forma de teorias e fórmulas prontas, por exemplo, o professor ou o gestor está assumindo um papel de instrutor, que chamamos de perfil do herói - aquele que resolve todos os problemas por nós. A origem do conhecimento é totalmente do professor ou do gestor e a participação do grupo é baixa. Apesar de ser importante e até mesmo necessário em alguns momentos - como em uma palestra, por exemplo, o problema ao utilizar 100% da aula ou reunião com esse formato é que o aluno não é estimulado a pensar, já que está recebendo tudo pronto. Lembrando que, atualmente, o acesso à informação está muito mais fácil. O professor ou o gestor que atua apenas como um transmissor de conteúdo pode estar com os dias contados, pois isso o Google já está fazendo.


Treinando

Ao compartilhar sua experiência e focar no desenvolvimento não só de conhecimentos técnicos, mas também de habilidades, atitudes e comportamentos do grupo, o professor está assumindo um lugar de treinador. Ele não transmite apenas teorias ou fórmulas prontas. Através do seu conhecimento e da sua vivência, ele motiva e encoraja, gerando mais consciência e capacidade no seu grupo. Muitas empresas contratam seus colaboradores pelo conhecimento que os mesmos possuem, mas demitem por questões comportamentais. A palavra 'treinador', em inglês, significa 'coach', profissão que tem se popularizado no Brasil ultimamente e que tem como objetivo justamente o desenvolvimento pessoal e/ou profissional. Uma grande diferença aqui, no entanto, é que o trabalho acaba sendo mais focado no desenvolvimento do indivíduo, enquanto que o professor ou gestor desenvolve o grupo como uma equipe, por objetivos coletivos.


Facilitando

Ao utilizar processos criativos para gerar ideias, resolver problemas ou tomar decisões de forma compartilhada, o professor ou gestor está facilitando o processo de aprendizagem do grupo. Ele é corajoso o suficiente para admitir que não tem todas as respostas, que confia no grupo e usufrui do conhecimento coletivo. A origem do conhecimento é do grupo, do qual o professor faz parte e contribui, fazendo com que a participação do grupo seja alta e as aulas mais experienciais (práticas). Dependendo do grupo e da atividade, a influência do Facilitador nos processos pode ser mínima, já que ele confia nas pessoas e na sua capacidade de co-criação. Dessa forma, os participantes são estimulados a pensar e a resolver problemas reais, ao invés de receber tudo pronto e apenas replicar automaticamente isso em seus contextos.


Faz-se necessário ressaltar que não existe certo ou errado, melhor ou pior. Vai depender muito do contexto, do ambiente, do grupo e de outros fatores. O interessante é conhecer todas as possibilidades de conduzir processos de aprendizagem e utilizá-los nos momentos certos, com intenção.


A facilitação não é o único ou o melhor caminho. É apenas mais uma opção, que para muitas pessoas (como eu, quando comecei a dar aula) é uma novidade. Fomos treinados e educados para sermos líderes heróis, tanto como gestores quanto professores. Por isso, quando entramos em uma empresa ou em uma sala de aula, assumimos uma postura mais passiva e esperamos por esse estilo de gestor ou professor.


Depois que comecei a utilizar técnicas e ferramentas de facilitação em alguns momentos das minhas aulas, percebi que o engajamento aumentou e o processo de aprendizagem foi maior, segundo relato dos próprios alunos. Além de utilizar no contexto educacional, percebi os mesmos resultados quando facilito reuniões em ambientes corporativos.


Para muitos colegas, a facilitação é mais que uma profissão, um método ou um simples passo a passo a ser seguido; é um estilo de vida, um modo de enxergar o mundo. E percebemos que as pessoas e empresas estão cada vez mais querendo isso em seus ambientes de trabalho e nas suas relações de forma geral.


Fotos: Jose Somensi

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2019 por Diego Dornelles